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Toffoli defende regras para uso de vídeos em pesquisas eleitorais

Toffoli defende regras para uso de vídeos em pesquisas eleitorais

Ministro do TSE afirma que exibição de conteúdos audiovisuais pode influenciar respostas dos entrevistados e pede regulamentação da prática

Por: Redação

10/06/2026 às 14:40

Imagem de Toffoli defende regras para uso de vídeos em pesquisas eleitorais

Foto: José Cruz/Agência Brasil

O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Dias Toffoli defendeu a criação de regras para limitar o uso de áudios e vídeos em pesquisas eleitorais. A manifestação ocorreu durante julgamento que analisa a suspensão de um levantamento do instituto AtlasIntel, questionado após exibir aos entrevistados um áudio envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro.

Recém-empossado na Corte Eleitoral, Toffoli afirmou que a ausência de regulamentação pode abrir espaço para a utilização de conteúdos destinados a influenciar respostas e alterar a percepção dos eleitores durante a coleta de dados.

Segundo o ministro, permitir a exibição irrestrita de materiais audiovisuais em pesquisas pode criar precedentes para a utilização de vídeos, áudios e outros conteúdos com potencial de direcionar opiniões políticas.

 

Caso envolve pesquisa sobre Flávio Bolsonaro

A discussão ocorreu durante a análise da decisão do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, que suspendeu a divulgação de uma pesquisa da AtlasIntel. O levantamento avaliava cenários eleitorais envolvendo Flávio Bolsonaro e utilizou, em parte do questionário, um áudio atribuído ao parlamentar em conversa com Daniel Vorcaro.

Ao conceder a liminar, Nunes Marques apontou possíveis indícios de indução nas respostas dos entrevistados, atendendo a pedido apresentado pelo Partido Liberal (PL).

Durante o julgamento, Toffoli alertou que a Justiça Eleitoral precisa acompanhar as transformações provocadas pelas novas tecnologias e pelas mídias digitais. Segundo ele, a falta de critérios claros pode levar à utilização crescente de conteúdos audiovisuais em levantamentos eleitorais.

 

Julgamento é interrompido

A análise do caso foi interrompida após pedido de vista da ministra Estella Aranha. Com a suspensão do julgamento, permanece em vigor a decisão que impede a divulgação oficial da pesquisa.

Antes da interrupção, o relator do caso, Kassio Nunes Marques, havia votado pela manutenção da liminar que bloqueou a publicação do levantamento.

A AtlasIntel sustenta que a exibição do áudio não comprometeu os resultados da pesquisa. Segundo o instituto, o material audiovisual foi apresentado apenas na etapa final do questionário, após a coleta das informações relacionadas às intenções de voto e à avaliação do cenário político.

Com o pedido de vista, não há prazo definido para a retomada do julgamento. Até que a análise seja concluída, a restrição imposta pelo TSE continua válida.

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