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OEA convoca reunião de emergência para discutir crise política na Nicarágua

OEA convoca reunião de emergência para discutir crise política na Nicarágua

Resolução teve 29 votos favoráveis; Brasil foi o único país a rejeitar o encontro, enquanto México se absteve

Por: Redação

20/08/2026 às 07:47

Imagem de OEA convoca reunião de emergência para discutir crise política na Nicarágua

Foto: Reprodução/AFP

A Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou nesta quarta-feira (19) a convocação de uma reunião de emergência entre os ministros das Relações Exteriores dos países-membros para discutir a situação política da Nicarágua. A decisão foi tomada pelo Conselho Permanente da entidade diante das recentes medidas adotadas pelo governo de Daniel Ortega e Rosario Murillo.

A resolução recebeu 29 votos favoráveis. O Brasil foi o único país a votar contra a convocação, enquanto o México se absteve. Haiti e Venezuela não participaram da votação. A data para a reunião dos chanceleres ainda não foi estabelecida.

 

Reforma eleitoral preocupa países da região

A reunião deverá tratar principalmente das mudanças eleitorais defendidas pelo governo nicaraguense. Uma reforma em discussão na Assembleia Nacional pode restringir a participação de integrantes da oposição nas próximas eleições.

A OEA classificou a situação como uma questão urgente e de interesse comum para os países do continente. A organização também afirmou que houve uma deterioração das condições democráticas na Nicarágua.

O governo de Ortega, por outro lado, sustenta que a reforma constitucional busca proteger o processo eleitoral de interferências externas e garantir um pleito que considera “livre, digno e soberano”.

 

Brasil defende diálogo e vota contra reunião

Apesar de manifestar preocupação com a situação democrática no país, o governo brasileiro optou por votar contra a convocação da reunião de chanceleres.

O representante do Brasil na OEA, embaixador Benoni Belli, afirmou que ainda existem possibilidades de atuação por meio do Conselho Permanente e da Secretaria-Geral da organização. A posição brasileira prioriza a continuidade do diálogo em vez da realização do encontro emergencial.

A posição coloca o Brasil isolado na votação, já que nenhum outro país votou contra a convocação.

 

OEA já havia criticado situação na Nicarágua

A preocupação da organização com o governo Ortega não é recente. Em junho, a Assembleia Geral da OEA aprovou uma declaração que apontou erosão da ordem democrática, enfraquecimento das instituições e violações de direitos humanos na Nicarágua.

Agora, a reunião de chanceleres deverá ampliar a discussão sobre as medidas adotadas pelo governo nicaraguense e sobre os impactos das mudanças eleitorais para a participação da oposição no processo político.

Até o momento, a OEA ainda não definiu a data do encontro.

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