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Operação mira BRB, PicPay e servidores em investigação sobre descontos na folha do DF
Operação mira BRB, PicPay e servidores em investigação sobre descontos na folha do DF
MPDFT cumpre 50 mandados e apura supostas fraudes envolvendo empréstimos consignados, antecipação salarial e associações ligadas a servidores públicos
Por: Redação
19/06/2026 às 09:43

Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagrou nesta sexta-feira (19) a Operação Juros Zero para investigar um suposto esquema de fraudes relacionado à folha de pagamento de servidores públicos do Distrito Federal.
Entre os alvos estão o Banco de Brasília (BRB), a BRB Serviços, o PicPay, a Secretaria de Economia do Distrito Federal, o Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev-DF), empresas privadas, associações e atuais e ex-dirigentes dos órgãos investigados.
Por determinação do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), estão sendo cumpridos 50 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em São Paulo e no Paraná.
Investigação apura descontos em salários de servidores
Segundo o MPDFT, a apuração investiga possíveis irregularidades em operações de antecipação salarial e empréstimos consignados descontados diretamente dos contracheques de servidores, aposentados e pensionistas do Governo do Distrito Federal.
As investigações tiveram origem em auditorias realizadas pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), que identificaram crescimento expressivo dos descontos relacionados a operações vinculadas ao PicPay após contrato firmado com a Secretaria de Economia em setembro de 2024.
De acordo com os dados analisados, os descontos passaram de R$ 11,7 milhões em 2024 para cerca de R$ 70 milhões nos primeiros meses de 2025.
O relatório também aponta que aproximadamente R$ 81,7 milhões foram descontados dos salários dos servidores entre 2024 e 2025.
Associação teve aumento de 48 mil% nos descontos
Outra frente da investigação envolve descontos realizados em favor da Associação dos Servidores Públicos do Distrito Federal (ASDF).
Segundo o Ministério Público, os valores destinados à entidade saltaram de cerca de R$ 3 mil em 2023 para R$ 1,49 milhão em 2025, aumento de aproximadamente 48 mil%.
Os investigadores apuram suspeitas de utilização de códigos relacionados a planos de saúde para mascarar operações de crédito com cobrança de juros. Também são investigadas supostas inserções de descontos sem autorização dos servidores.
O MPDFT afirma ainda que aposentados vinculados ao Iprev-DF podem estar entre os possíveis prejudicados pelas irregularidades investigadas.
Ex-presidente do BRB e diretor do PicPay estão entre os alvos
Entre os alvos das medidas judiciais estão o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, o ex-secretário de Economia do DF, Ney Ferraz Júnior, e o diretor do PicPay, Eduardo Chedid Simões.
Também foram incluídas nas investigações empresas como PicPay Instituição de Pagamento, PicPay Bank, Crednovo, Peak, VemCard e outras organizações apontadas pelos investigadores.
Segundo o Ministério Público, os indícios reunidos até o momento sugerem que as irregularidades identificadas podem representar apenas parte do esquema sob investigação.
PicPay nega irregularidades
Em nota, o PicPay afirmou não reconhecer qualquer irregularidade nas operações citadas e rejeitou as acusações de cobrança indevida.
A empresa informou que os serviços seguem as normas vigentes, que as operações eram realizadas diretamente pelos clientes por meio do aplicativo e que continuará colaborando com as autoridades durante as investigações.
Os demais citados ainda não haviam se manifestado até a publicação da reportagem.
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