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PF acusa jornalista de perseguir Dino e cita “perturbação do equilíbrio psicológico”

PF acusa jornalista de perseguir Dino e cita “perturbação do equilíbrio psicológico”

Investigação conduzida no STF afirma que reportagens sobre familiares do ministro provocaram sofrimento emocional; jornalista contesta e diz que caso ameaça o sigilo da fonte e a liberdade de imprensa

Por: Redação

13/08/2026 às 20:50

Imagem de PF acusa jornalista de perseguir Dino e cita “perturbação do equilíbrio psicológico”

Foto: Gustavo Moreno/STF

A Polícia Federal afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a atuação do jornalista Luís Pablo contra o ministro Flávio Dino teria provocado “sofrimento emocional, medo constante e perturbação do equilíbrio psicológico”. A manifestação integra uma investigação relatada pelo ministro Alexandre de Moraes e enquadra a atuação do jornalista no crime de perseguição.

O caso teve origem em reportagens publicadas por Luís Pablo a partir de novembro de 2025. As matérias questionavam o uso de uma Toyota SW4 blindada pertencente ao Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares de Dino, então ministro do STF. A investigação posteriormente identificou Raimundo Cutrim como fonte das informações utilizadas pelo jornalista.

Segundo a PF, a repetição das publicações teria ultrapassado os limites da atividade jornalística e provocado uma alteração relevante na tranquilidade e na esfera psicológica de Dino. Para os investigadores, não seria necessário demonstrar dano físico ou material para caracterizar o crime de perseguição.

A legislação citada no documento prevê pena de seis meses a dois anos de reclusão, além de multa, para quem perseguir reiteradamente outra pessoa, ameaçando sua integridade física ou psicológica ou perturbando sua liberdade ou privacidade.

 

Busca apreendeu equipamentos do jornalista

A investigação avançou depois que Moraes autorizou, em março, uma operação de busca e apreensão contra Luís Pablo. Celulares, notebook e pendrive foram periciados pela PF, que afirma ter chegado à identidade da pessoa apontada como fonte das reportagens.

O episódio coloca novamente em discussão o sigilo da fonte jornalística, previsto na Constituição. A identificação de Cutrim ocorreu justamente a partir da análise dos equipamentos utilizados pelo jornalista.

A assessoria de Flávio Dino negou que tenha ocorrido uso irregular do veículo. Segundo a manifestação do ministro, o carro blindado teria sido cedido por solicitação da Secretaria de Segurança do STF, dentro de um acordo de cooperação existente com tribunais de todo o país.

Dino também afirmou que ele e seus familiares teriam sido monitorados e seguidos e que imagens clandestinas teriam sido produzidas, inclusive envolvendo seus filhos, que são crianças.

 

Jornalista contesta investigação

Luís Pablo rejeitou a acusação de perseguição e afirmou que o procedimento representa uma tentativa de criminalizar o exercício do jornalismo.

O jornalista argumentou que reportagens sobre fatos de interesse público não podem ser tratadas como crime e criticou a identificação de sua fonte. Segundo ele, a investigação também teria utilizado informações sobre relações privadas sem vínculo com a produção jornalística para tentar sustentar uma acusação criminal.

A manifestação de Pablo destaca ainda que a proteção ao sigilo da fonte é uma garantia constitucional e que sua violação pode produzir efeitos sobre a atividade da imprensa.

O caso segue sob análise no âmbito do STF, com a investigação envolvendo o jornalista, sua fonte e as reportagens relacionadas ao ministro Flávio Dino.

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