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PF aponta histórico no jogo do bicho e condenação de investigado ligado ao caso Vorcaro
PF aponta histórico no jogo do bicho e condenação de investigado ligado ao caso Vorcaro
Manoel Mendes Rodrigues, conhecido como “Manolo Dom”, é apontado como um dos líderes da estrutura investigada na Operação Compliance Zero
Por: Redação
18/06/2026 às 07:57

Foto: Reprodução
Apontado pela Polícia Federal como um dos principais integrantes da estrutura que atuaria em favor da família do banqueiro Daniel Vorcaro, Manoel Mendes Rodrigues, conhecido como “Manolo Dom”, acumula passagens pela contravenção, uma condenação criminal e uma tentativa frustrada de ingressar na política.
Preso no âmbito da Operação Compliance Zero, Manoel é descrito pelos investigadores como integrante de um grupo responsável por monitorar, pressionar e intimidar pessoas consideradas uma ameaça aos interesses da família Vorcaro.
Segundo a Polícia Federal, a estrutura da qual ele fazia parte possuía características semelhantes às de uma organização paramilitar, com uso de veículos blindados, armamento de grosso calibre e equipes de segurança fortemente armadas.
Candidatura barrada pela Justiça
Antes de aparecer nas investigações mais recentes, Manoel tentou construir carreira política. Em 2016, disputou uma vaga na Câmara Municipal do Rio de Janeiro pelo então Partido da Mobilização Nacional (PMN), atualmente Mobiliza.
A candidatura, porém, foi barrada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) com base na Lei da Ficha Limpa.
A decisão teve como fundamento uma condenação por associação criminosa proferida em 2012. No mesmo processo também figurava como réu José Guilherme Cárdia Soares, investigado à época por fraudes envolvendo cartões de crédito.
Manoel foi condenado a um ano e nove meses de reclusão em regime aberto. O processo transitou em julgado em 2013, o que levou à suspensão de seus direitos políticos e inviabilizou sua participação na disputa eleitoral.
Ligações com o jogo do bicho
De acordo com registros citados na investigação, Manoel já havia sido alvo de apurações da Polícia Federal em 2010 por suposto envolvimento com exploração de bingo clandestino e máquinas caça-níqueis na região central do Rio de Janeiro.
Em depoimentos e documentos analisados pela PF, ele é descrito como um “empresário de jogos”, ligado ao jogo do bicho e conhecido nos meios da contravenção carioca.
Os investigadores também apontam proximidade entre Manoel e o contraventor Bernardo Bello.
Relação com a família Vorcaro
A Polícia Federal sustenta que Manoel desempenhava papel estratégico dentro da estrutura investigada, mantendo contato frequente com Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo os relatórios, os dois discutiam estratégias após fases da Operação Compliance Zero e trocavam mensagens e ligações de longa duração mesmo às vésperas das ações policiais.
A investigação aponta ainda que empresas ligadas a Manoel receberam transferências financeiras que somam R$ 200 mil provenientes de companhias associadas a pessoas do círculo de Henrique Vorcaro.
Contato com o “Sicário”
Outro personagem citado nas investigações é Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”.
Segundo a PF, Manoel manteve contato frequente com Mourão antes de sua prisão, em março deste ano. Os investigadores identificaram ao menos 58 mensagens trocadas entre os dois.
Após a morte de Mourão, ocorrida depois de sua prisão, Manoel teria viajado a Belo Horizonte para se reunir com familiares do investigado. A Polícia Federal apura se o encontro teve relação com tentativas de conter informações consideradas sensíveis para a investigação.
Os investigadores também atribuem a Manoel participação em episódios de intimidação contra ex-funcionários ligados a Daniel Vorcaro, incluindo um ex-chefe de cozinha e um ex-capitão de embarcação do empresário.
A Operação Compliance Zero segue em andamento e apura suspeitas de organização criminosa, lavagem de dinheiro, obtenção ilegal de informações e outros possíveis delitos relacionados ao grupo investigado. Os citados negam irregularidades e têm direito à ampla defesa e ao contraditório.
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