PF apura R$ 300 mil em dinheiro vivo em investigação sobre Lulinha
Parte do valor teria sido destinada a uma agência de viagens que emitiu passagens para o filho de Lula e a lobista Roberta Luchsinger
Por: Redação
25/08/2026 às 10:00

Foto: Danilo M. Yoshioka
A Polícia Federal (PF) investiga movimentações de R$ 300 mil em dinheiro vivo atribuídas a um motorista ligado à lobista Roberta Luchsinger, em uma apuração que também envolve Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Os investigadores identificaram duas operações, realizadas em 25 de junho de 2025, nos valores de R$ 100 mil e R$ 200 mil, recebidos pelo motorista Ulisses Barbosa Viana Júnior de uma pessoa ainda não identificada.
Do total, R$ 50 mil foram destinados a uma agência de viagens. Na mesma data, a empresa emitiu passagens de aproximadamente R$ 2 mil para Roberta e Lulinha, em um voo de Brasília para o Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
Motorista aparece como possível operador financeiro
Mensagens obtidas pela PF mostram Roberta orientando Ulisses a realizar depósitos de R$ 50 mil em sua consultoria e outros R$ 50 mil na agência de viagens.
Em outra conversa, o motorista informou ter recebido os R$ 300 mil e levado o dinheiro até a residência da lobista. Segundo o relato registrado na investigação, as cédulas estavam em pacotes lacrados. Posteriormente, Ulisses enviou uma fotografia de um armário e indicou que o restante do dinheiro estava guardado atrás das roupas.
A PF pretende aprofundar a investigação sobre o motorista, tratado no documento como possível operador financeiro, para verificar se as movimentações podem estar relacionadas a lavagem de dinheiro.
Defesa de Lulinha nega vínculo com os valores
A defesa de Lulinha afirmou que não existe comprovação de que o dinheiro sacado tenha sido utilizado para financiar viagens do filho do presidente. O advogado Marco Aurélio de Carvalho também negou qualquer relação entre Lulinha e o motorista.
A defesa de Roberta informou que não comentaria conversas que, segundo os advogados, teriam sido extraídas de um relatório protegido por sigilo. Ulisses não apresentou manifestação.
Em entrevista à Record no domingo (23), Lula afirmou que acompanha a investigação com seriedade e declarou que, caso o filho tenha cometido algum erro, deverá responder pelos seus atos.
Investigação também envolve negócios com o governo
As apurações da PF incluem suspeitas de corrupção e tráfico de influência relacionadas a negociações envolvendo produtos à base de Cannabis medicinal.
Os investigadores apontam uma possível “comunhão de interesses econômicos” entre Lulinha e Roberta e investigam a hipótese de uma sociedade não formalizada envolvendo também Fernando Bittar.
O grupo teria buscado negócios com o Ministério da Saúde. O caso está sob relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A PF também identificou pagamentos de R$ 217 mil feitos por Roberta para despesas de Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula. A defesa dele afirma que os valores correspondem a um empréstimo pessoal e nega que tenha intermediado documentos relacionados a compras ou licitações no Ministério da Saúde ou na Anvisa.
Outra frente da investigação aponta que Roberta teria arcado com cerca de R$ 100 mil mensais em despesas de uma residência utilizada por Lulinha. Em mensagens, a lobista teria relacionado os gastos com a necessidade de reduzir despesas com passagens aéreas.
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