Presidente de escola que homenageará Lula é exonerado na Alerj
Wallace Palhares foi desligado de função comissionada após escola anunciar enredo dedicado ao presidente; caso amplia debate sobre uso de dinheiro público
Por: Redação
06/02/2026 às 15:12

Foto: Divulgação
O presidente da Acadêmicos de Niterói, Wallace Palhares, foi exonerado nesta quinta-feira (5) do cargo de assistente parlamentar na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). A decisão foi assinada pelo deputado Guilherme Delaroli (PL), primeiro vice-presidente da Casa em exercício, e publicada no Diário Oficial Legislativo.
A exoneração ocorre poucos dias após a confirmação de que a Acadêmicos de Niterói levará à avenida um samba-enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com o tema “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a escola abrirá a primeira noite de desfiles do Grupo Especial, na Marquês de Sapucaí, em 15 de fevereiro de 2026.
Palhares ocupava o cargo desde 2025 e estava lotado na Comissão de Transportes, vinculada ao gabinete do deputado Dionísio Lins (PP), vice-líder do governo Cláudio Castro (PL) na Alerj. Em janeiro de 2026, ele recebeu R$ 7.961,34, segundo dados do Portal da Transparência da Assembleia — valor que inclui salário líquido e benefícios. O montante representa quase o triplo do que recebia em abril de 2025, quando sua remuneração somava R$ 2.782,56.
Além da atuação política e carnavalesca, Palhares é sócio-administrador das empresas WP Consulting e Fino Trato Selo Musical. Em dezembro do ano passado, recebeu o título de “Cidadão Niteroiense”, concedido por indicação do vereador Anderson Pipico (PT), que também figura como presidente de honra da escola de samba.
A assessoria de Guilherme Delaroli informou que não comenta exonerações específicas, afirmando apenas que desligamentos fazem parte do processo de reorganização administrativa da Casa, com o objetivo de aprimorar a gestão e os serviços prestados à população fluminense. A Acadêmicos de Niterói foi procurada para comentar a exoneração, mas não respondeu até a publicação desta reportagem.
A escolha do enredo em homenagem a Lula desencadeou forte reação no campo político. O partido Novo acionou o Tribunal de Contas da União (TCU) e pediu medida cautelar para barrar o uso de recursos públicos pela escola, sob o argumento de que o repasse configuraria desvio de finalidade em ano pré-eleitoral. A área técnica do tribunal recomendou o bloqueio, mas a decisão final caberá ao relator, ministro Aroldo Cedraz.
Apesar das controvérsias, os repasses públicos ao Carnaval seguem em curso. A Embratur e o Ministério da Cultura autorizaram o envio de R$ 12 milhões à Liesa, responsável pelos desfiles do Grupo Especial, com divisão igualitária entre as escolas. O governo do Estado do Rio de Janeiro destinou R$ 40 milhões às agremiações, enquanto a Prefeitura do Rio, comandada por Eduardo Paes (PSD), repassou R$ 25,8 milhões à entidade organizadora.
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