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Projeto do fim da escala 6×1 empaca na Câmara e expõe isolamento do governo Lula
Projeto do fim da escala 6×1 empaca na Câmara e expõe isolamento do governo Lula
Apesar do discurso oficial e do apoio popular, proposta não tem relator, articulação política ou apoio do presidente da Câmara; governo e autora da medida enfrentam desgaste
Por: Redação
01/07/2025 às 07:31

Foto: Lula Marques/Agencia Brasil
No papel, o governo Lula promete dar fim à jornada de seis dias de trabalho para um de descanso, a chamada escala 6×1. Na prática, o projeto está parado — sem relator, sem articulação e sem previsão de avanço. Passados mais de quatro meses desde que a proposta foi protocolada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), o texto sequer começou a tramitar formalmente na Câmara.
A falta de apoio político e de estratégia institucional revela o fosso entre o discurso progressista do Planalto e sua capacidade real de implementar mudanças no Congresso. Mesmo com ampla adesão popular — seis em cada dez brasileiros apoiam a proposta, segundo levantamento da Genial/Quaest — o governo não conseguiu sequer convencer o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a indicar um relator.
A proposta de Hilton, que prevê uma semana de quatro dias úteis de trabalho, ganhou destaque nos palanques, especialmente em datas simbólicas como o 1º de Maio. Mas permanece esquecida no trâmite legislativo. O próprio presidente Lula chegou a declarar que era hora de “aprofundar o debate” e garantir mais equilíbrio entre trabalho e bem-estar, mas, desde então, nenhuma ação concreta foi tomada para tirar a proposta do papel.
O cenário se agrava com o desgaste da relação entre o governo e Hugo Motta. A temperatura subiu após o presidente da Câmara pautar de última hora a derrubada do decreto que aumentava o IOF, ignorando apelos do próprio Lula e dos ministros Fernando Haddad e Gleisi Hoffmann. Nos bastidores, aliados já preveem novas derrotas — e reconhecem que o apoio do governo à eleição de Motta para o comando da Casa foi um erro estratégico.
Além disso, Gleisi Hoffmann, responsável pela articulação política do Planalto, tem sido criticada por concentrar esforços apenas em deputados petistas e ignorar parlamentares do centrão, que detêm maioria e controle das comissões.
Erika Hilton, por sua vez, enfrenta dificuldades em sua própria base parlamentar. Alvo de polêmica após nomear dois maquiadores para cargos em seu gabinete, a deputada virou alvo da oposição e viu seu capital político encolher. Com pouca interlocução dentro da Câmara, Hilton não conseguiu apoio sequer de colegas da esquerda para acelerar a tramitação do projeto. Nos bastidores, a avaliação é que sua baixa popularidade entre os pares compromete a viabilidade da pauta.
A deputada diz ver nos ataques uma tentativa de barrar o debate sobre a escala 6×1, mas mesmo parlamentares próximos evitam se vincular à proposta publicamente.
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