PT evita lançar pré-candidatura de Lula e adota cautela ao completar 46 anos
Impasses regionais e dificuldades em São Paulo levam partido a recuar de anúncio formal da reeleição
Por: Redação
05/02/2026 às 10:49

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
O Partido dos Trabalhadores (PT) completa 46 anos nesta semana adotando uma estratégia política mais cautelosa do que a inicialmente desenhada. A ideia de utilizar o aniversário da legenda como palco para o lançamento da pré-candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição foi abandonada, diante de avaliações internas de que o movimento seria prematuro e poderia comprometer articulações eleitorais em Estados estratégicos.
No plano original, o ato marcado para o dia 7 de fevereiro, em Salvador, poderia simbolizar o início formal da corrida presidencial de 2026. No entanto, dirigentes do partido concluíram que o cenário político ainda não está consolidado e que antecipar o anúncio poderia travar negociações regionais e ampliar resistências locais.
O principal entrave segue sendo São Paulo, maior colégio eleitoral do país, com mais de 34 milhões de eleitores. A manutenção de Geraldo Alckmin (PSB) como vice é dada como certa, mas o palanque paulista permanece indefinido. Lula tenta convencer o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a disputar uma eleição majoritária no Estado, visto internamente como peça-chave para a estratégia nacional do partido.
Em 2022, Lula foi derrotado em São Paulo por uma diferença superior a 2,6 milhões de votos, o que reforça, na avaliação petista, a necessidade de um nome conhecido e competitivo. Apesar da pressão de lideranças, Haddad sinaliza preferência por uma candidatura ao Senado, opção que hoje aparece como a mais provável dentro do partido.
Nesse contexto, passou a ser cogitado o nome da ministra Simone Tebet (MDB-MS) para disputar o governo paulista. A articulação envolveria uma eventual migração para o PSB, com o objetivo de ampliar alianças e fortalecer o campo governista no Estado.
O aniversário do PT também marca o retorno de quadros históricos à cena eleitoral. O presidente Lula tem incentivado candidaturas de nomes como José Dirceu, João Paulo Cunha e Delúbio Soares à Câmara dos Deputados, numa tentativa de reabilitação política e mobilização da militância. A estratégia, contudo, é vista como arriscada e reacende críticas sobre a falta de renovação interna da legenda.
Apesar do recuo no anúncio formal da pré-candidatura, o evento mantém forte tom eleitoral. A orientação interna é avançar na construção da estratégia para 2026 de forma gradual, evitando desgastes antecipados e conflitos regionais.
A programação em Salvador reforça a Bahia como principal reduto eleitoral do PT, Estado governado pela legenda há quase duas décadas e considerado decisivo nas vitórias presidenciais de Lula. Os debates do encontro devem servir de base para a narrativa da campanha de 2026, com destaque para o conceito de “soberania”, aplicado à política externa, à comunicação e à cultura.
A estratégia busca consolidar um discurso de defesa nacional diante do que o partido classifica como pressões externas e ameaças institucionais. O evento começa nesta quinta-feira (5.fev) com mesas temáticas no Hotel Fiesta e segue até sábado (7.fev), quando Lula participa do ato político no Trapiche Barnabé, que marca o lançamento do projeto “Nova Primavera 2026”.
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