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TCU aponta subestimação de verba para desastres no orçamento federal

TCU aponta subestimação de verba para desastres no orçamento federal

Tribunal avalia que governo tem previsto valores abaixo do histórico de gastos e recorrido com frequência a créditos extraordinários para ações emergenciais

Por: Redação

10/06/2026 às 10:35

Imagem de TCU aponta subestimação de verba para desastres no orçamento federal

Foto: José Cruz/Agência Brasil

O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou que o governo federal tem reservado no Orçamento recursos inferiores ao histórico de despesas com prevenção e resposta a desastres naturais, recorrendo posteriormente à abertura de créditos extraordinários para complementar os valores necessários. A avaliação integra a análise das contas do governo referentes a 2025.

Segundo o tribunal, embora enchentes, queimadas, estiagens e outros eventos climáticos não possam ser previstos com exatidão, o histórico dos últimos anos permite estimar de forma mais precisa a necessidade de recursos para ações de defesa civil.

Dados do Painel do Orçamento Federal mostram que os gastos com proteção e defesa civil somaram, em média, R$ 1,6 bilhão por ano desde 2020. Apesar disso, os valores inicialmente previstos nas propostas orçamentárias ficaram frequentemente abaixo desse patamar, em alguns casos representando menos da metade do montante efetivamente gasto.

O TCU observa que a diferença tem sido compensada por créditos extraordinários, mecanismo destinado a despesas urgentes e imprevisíveis e que não se submete às regras fiscais ordinárias. Para a Corte de Contas, a repetição desse padrão indica que a programação orçamentária poderia refletir melhor a frequência dos eventos climáticos extremos registrados nos últimos anos.

 

Governo defende uso de créditos extraordinários

Em manifestação citada na análise, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional argumenta que os recursos inicialmente previstos são direcionados principalmente à Operação Carro-Pipa e às estruturas permanentes de resposta a emergências. A pasta sustenta que não é possível calcular previamente o custo exato de ações de socorro e reconstrução decorrentes de desastres naturais.

O ministério também afirma que os créditos extraordinários permanecem indispensáveis para garantir atendimento rápido à população em situações de calamidade pública.

 

Histórico de gastos

O levantamento mostra que o padrão de reforço emergencial ocorreu em diferentes governos.

Em 2020, o orçamento reservou R$ 467 milhões para defesa civil, mas os gastos totais chegaram a R$ 1 bilhão após a abertura de crédito extraordinário para atender vítimas de enchentes.

Em 2021, a dotação inicial foi de R$ 495 milhões e a despesa final alcançou R$ 921 milhões. Já em 2022, o orçamento previa R$ 456 milhões, enquanto os gastos efetivos chegaram a R$ 1,3 bilhão após liberações destinadas a municípios atingidos por enchentes e deslizamentos.

Durante o atual governo, o cenário se repetiu. Em 2023, a previsão inicial foi de R$ 580 milhões, mas as despesas atingiram R$ 1,5 bilhão após a abertura de R$ 1 bilhão em créditos extraordinários.

O maior volume foi registrado em 2024. Embora o orçamento previsse R$ 751 milhões para a área, as enchentes no Rio Grande do Sul e os incêndios na Amazônia e no Pantanal levaram à liberação de R$ 3 bilhões em créditos extraordinários. Ao final do ano, os gastos somaram R$ 3,1 bilhões.

Em 2025, a reserva inicial caiu para R$ 515 milhões. Ao longo do exercício, foram autorizados R$ 887 milhões adicionais para enfrentar enchentes e estiagens em diferentes regiões do país, elevando as despesas executadas para R$ 1,5 bilhão.

 

Comparação com gestões anteriores

O TCU destaca que a estratégia observada nos governos Bolsonaro e Lula difere da adotada durante a gestão de Michel Temer. Naquele período, o reforço de recursos para defesa civil ocorreu principalmente por meio de remanejamentos internos sujeitos às regras fiscais, e não pela abertura recorrente de créditos extraordinários.

A análise do tribunal deverá integrar as recomendações e observações apresentadas ao Executivo durante o julgamento das contas federais.

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