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Banco Central relata ao TCU colapso financeiro e irregularidades no Banco Master

Banco Central relata ao TCU colapso financeiro e irregularidades no Banco Master

Relatório aponta crise prolongada de liquidez, falhas estruturais e risco sistêmico

Por: Redação

31/12/2025 às 08:22

Imagem de Banco Central relata ao TCU colapso financeiro e irregularidades no Banco Master

Foto: Agência Brasil

O Banco Central do Brasil informou ao Tribunal de Contas da União (TCU) que o Banco Master operava sob crise severa e prolongada de liquidez, com falhas estruturais recorrentes na condução dos negócios. Segundo o regulador, rever a liquidação da instituição poderia gerar impactos relevantes no sistema financeiro, dada a extensão dos problemas identificados.

As informações constam de documento sigiloso encaminhado ao TCU na segunda-feira (29), em resposta a questionamentos do ministro Jhonatan de Jesus, relator do processo. No despacho, o ministro havia solicitado esclarecimentos sobre a condução do Banco Central e indicado possível precipitação na medida adotada. O BC sustenta, contudo, que a liquidação extrajudicial foi a única alternativa viável diante do cenário econômico-financeiro apurado.

De acordo com o relatório, a instituição controlada pelo banqueiro Daniel Vorcaro mantinha práticas irregulares recorrentes e não conseguia cumprir normas básicas do setor, comprometendo a capacidade de honrar obrigações com clientes e credores. A supervisão afirma ter avaliado alternativas de mercado antes da intervenção, mas identificou esvaziamento das carteiras geradoras de caixa e concentração em ativos de longo prazo, com baixa liquidez e reduzida capacidade de recuperação.

Entre os problemas elencados estão atrasos frequentes na entrega de informações contábeis, incapacidade de recompor recolhimentos compulsórios, estratégias consideradas incompatíveis com boas práticas bancárias, além de operações estruturadas sem geração relevante de fluxo financeiro. O documento também cita cessão de créditos com inconsistências, inclusive com ativos cuja existência não pôde ser comprovada, e reciclagem de recursos por meio de uma cadeia de fundos.

O Banco Central acrescenta que ajustes contábeis obrigatórios poderiam reduzir em cerca de R$ 20 bilhões o patrimônio de referência do conglomerado, com base em números de maio de 2025, ampliando o comprometimento da solvência. Diante desse conjunto de fatores, o regulador concluiu que a manutenção das operações elevava o risco sistêmico, justificando a decisão de liquidação.

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