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Correios admitem “ciclo vicioso de prejuízos” e projetam rombo de R$ 9 bilhões em 2026
Correios admitem “ciclo vicioso de prejuízos” e projetam rombo de R$ 9 bilhões em 2026
Relatório interno aponta perda de clientes, queda de caixa e dificuldade estrutural de geração de receita
Por: Redação
19/02/2026 às 09:12

Foto: Elza Fiuza/Agência Brasil
Um relatório interno da Diretoria Econômico-Financeira dos Correios reconhece que a estatal entrou em um “ciclo vicioso de prejuízos”, marcado por perda de clientes, queda na geração de caixa e aumento da dependência de empréstimos.
Segundo o texto, a deterioração operacional é apontada como principal fator dos resultados negativos recorrentes. A diretora Loiane de Carvalho Bezerra de Macedo afirma que houve “perda de clientes e receitas, decorrente da baixa qualidade operacional, que reduziu progressivamente a geração de caixa necessária para regularizar as obrigações dos Correios”.
Queda de caixa e atrasos bilionários
Até setembro de 2025, os Correios acumulavam R$ 3,7 bilhões em valores não pagos a fornecedores, empregados e tributos.
O relatório classifica a falta de caixa como o ponto mais crítico para a sustentabilidade da empresa.
Entre janeiro e setembro de 2025, as entradas de caixa somaram R$ 16,94 bilhões, ante R$ 18,37 bilhões no mesmo período de 2024 — queda de 17,6%.
No mesmo intervalo, as saídas totalizaram R$ 16,68 bilhões.
Diante do quadro, a estatal contratou R$ 13,8 bilhões em empréstimos ao longo de 2025. No entanto, a maior parte desses recursos só ingressou no caixa em 30 de dezembro, o que limitou o efeito imediato sobre o fluxo financeiro.
Projeção de déficit crescente
O documento revisa ainda as estimativas para o fechamento de 2025 e para 2026. A previsão atual é de prejuízo de R$ 5,8 bilhões em 2025 — levemente abaixo do rombo acumulado até setembro, de R$ 6 bilhões.
Para 2026, a situação tende a piorar: a diretoria projeta déficit de R$ 9,1 bilhões.
Histórico recente
Gráfico apresentado na reportagem mostra que a estatal registrou lucros nos governos Temer e Bolsonaro, mas voltou a apresentar prejuízos expressivos nos últimos anos.
O relatório conclui que o problema não é apenas conjuntural, mas estrutural, indicando que o modelo atual opera “no limite entre obrigação legal, pressão competitiva e capacidade real de geração de valor”.
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