Endividamento das famílias atinge maior nível em 20 anos
Com juros elevados e aumento da inadimplência, cenário econômico expõe fragilidade financeira das famílias brasileiras
Por: Redação
23/03/2026 às 09:14

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
O comprometimento da renda das famílias brasileiras com dívidas alcançou o maior nível das últimas duas décadas, segundo dados do Banco Central do Brasil. Atualmente, cerca de 29% da renda está destinada ao pagamento de compromissos financeiros — patamar recorde desde o início da série histórica recente.
Desse total, 10,38% correspondem apenas ao pagamento de juros, enquanto 18,81% referem-se à amortização do principal. O dado evidencia o peso crescente do custo do crédito sobre o orçamento das famílias, especialmente em um ambiente de juros elevados.
O avanço do endividamento ocorre em paralelo ao aumento da inadimplência. Entre o fim do ano passado e janeiro deste ano, o percentual de consumidores com contas em atraso subiu para 6,9%, acima dos 5,6% registrados no mesmo período anterior.
O impacto é mais intenso entre as famílias de baixa renda, que recorrem com maior frequência a linhas de crédito mais caras, como o rotativo do cartão de crédito. Essa modalidade lidera os índices de inadimplência, atingindo 63,5%, seguida pelo cheque especial (16,5%) e pelo crédito parcelado (13%).
Além disso, os dados mostram crescimento expressivo nessas modalidades: o crédito rotativo avançou 31,2% em um ano, enquanto o parcelado subiu 18,3% e o cheque especial, 13,8%. Esse movimento reforça o diagnóstico de deterioração do equilíbrio financeiro das famílias.
Apesar de o Banco Central ter estabelecido um teto para os juros do cartão de crédito — limitando o total da dívida a até o dobro do valor original — especialistas avaliam que a medida não tem sido suficiente para conter o avanço do endividamento.
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