Petrobras investe US$ 1 milhão por dia em poço da Margem Equatorial
Estatal já desembolsou cerca de US$ 300 milhões na perfuração de Morpho, no Amapá; empresa estima concluir operação em 15 dias
Por: Redação
18/08/2026 às 09:02

Foto: Divulgação
A Petrobras desembolsa aproximadamente US$ 1 milhão por dia na perfuração do poço de Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial. Segundo a presidente da estatal, Magda Chambriard, o investimento acumulado chegou a US$ 300 milhões, valor superior a R$ 1,5 bilhão pela cotação.
A declaração foi feita nesta segunda-feira (17), durante uma entrevista coletiva em Oiapoque (AP), após a Petrobras anunciar a identificação de petróleo na região. A companhia ainda não calculou o tamanho da possível reserva, mas a direção da estatal demonstra expectativa positiva em relação ao resultado da exploração.
Perfuração deve terminar nos próximos dias
A diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, informou que faltavam cerca de 1 mil metros para a sonda alcançar o fundo do poço. A previsão é concluir a perfuração em aproximadamente 15 dias.
Depois dessa etapa, a Petrobras deverá delimitar a área da descoberta para estimar a extensão do reservatório. A companhia também aguarda licenças ambientais para perfurar outros três poços no mesmo bloco.
Os dados obtidos em Morpho serão utilizados para definir a localização das próximas perfurações. A empresa ainda realizará testes para avaliar a qualidade do petróleo encontrado. O material coletado será encaminhado ao Centro de Pesquisas da Petrobras, no Rio de Janeiro.
Margem Equatorial é estratégica para reposição de reservas
A exploração da região é considerada estratégica pela Petrobras para manter a produção nacional nos próximos anos. Atualmente, cerca de 80% da produção de petróleo da estatal vem do pré-sal, cuja produção deve atingir o pico por volta de 2034 ou 2035.
A partir desse período, segundo Magda Chambriard, será necessário incorporar novas reservas para evitar uma queda na produção. A executiva defendeu a continuidade da exploração de novas áreas como forma de preservar a capacidade produtiva da companhia.
A Petrobras possui 32 blocos na Margem Equatorial, segundo Sylvia Anjos. A estatal espera que a descoberta em Morpho seja seguida por novas áreas com potencial de produção.
Empresa aguarda autorizações do Ibama
Para avançar nas próximas perfurações, a Petrobras ainda depende de autorizações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
A diretora de Assuntos Corporativos da companhia, Clarice Coppetti, informou que a Petrobras respondeu às solicitações de complementação feitas pelo órgão ambiental. O último parecer técnico foi recebido em 10 de agosto, e a empresa protocolou novas informações posteriormente.
A companhia afirma que mantém diálogo com o Ibama e que os projetos de exploração da Margem Equatorial também são acompanhados pela Casa Civil, por integrarem o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Petrobras afirma ter estrutura para emergências
Magda Chambriard também destacou que a exploração ocorre com estrutura específica para operações em águas profundas. O plano de emergência inclui centros de apoio à fauna em Oiapoque e Belém, com biólogos e protocolos para resgate e atendimento de animais.
A presidente da Petrobras afirmou ainda que, segundo os registros da companhia, não houve acidentes durante a fase exploratória operada pela estatal no pré-sal, pós-sal ou em terra.
A descoberta de Morpho, portanto, ainda não significa uma nova reserva comercial de petróleo. Antes de qualquer decisão sobre produção, a Petrobras precisará concluir a perfuração, delimitar o reservatório, avaliar a qualidade do óleo e determinar a viabilidade econômica da área.
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