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Kristi Noem enfrenta pressão inédita no Congresso após mortes em operações do ICE
Kristi Noem enfrenta pressão inédita no Congresso após mortes em operações do ICE
Secretária do DHS vira alvo de pedidos de investigação e impeachment em meio a críticas bipartidárias sobre uso da força por agentes federais
Por: Redação
31/01/2026 às 13:12

Foto: Reprodução/Redes Sociais
A secretária do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, Kristi Noem, passou a enfrentar uma ofensiva política sem precedentes no Congresso após a morte de civis americanos durante operações conduzidas por agentes do Immigration and Customs Enforcement (ICE). Pela primeira vez desde que assumiu o cargo, a pressão reúne democratas e setores do Partido Republicano, ampliando o desgaste da chefe do DHS.
O episódio que desencadeou a crise foi a morte de Renée Nicole Good, de 37 anos, baleada por um agente do ICE durante uma ação federal em Minneapolis, no dia 7 de janeiro. Inicialmente, autoridades federais classificaram o caso como legítima defesa, mas a versão oficial passou a ser contestada após a divulgação de imagens do ocorrido. O prefeito da cidade afirmou que os registros visuais não corroboram a narrativa apresentada pelos agentes federais.
Pouco tempo depois, outro americano, Alex Pretti, também morreu em uma operação envolvendo agentes federais, em circunstâncias igualmente controversas. A sucessão de episódios elevou o nível de indignação pública e colocou em xeque os protocolos de uso da força adotados pelo ICE sob a gestão de Noem.
As mortes provocaram protestos em diversas cidades dos Estados Unidos, com manifestações concentradas principalmente em Minneapolis. Movimentos civis e organizações progressistas passaram a exigir mudanças estruturais na política migratória e no emprego de força letal por agentes federais, promovendo atos sob lemas como “ICE Out For Good”.
Embora os protestos tenham sido impulsionados majoritariamente por grupos à esquerda, a repercussão extrapolou esse campo e alcançou lideranças políticas locais e estaduais, ampliando o debate sobre responsabilidade institucional e supervisão das agências federais.
No Congresso, a reação ganhou contornos formais. Mais de 160 deputados democratas da Câmara dos Representantes coassinaram artigos de impeachment contra Kristi Noem, alegando abuso de autoridade, falhas graves de supervisão e obstrução do papel fiscalizador do Legislativo. A iniciativa foi liderada pela deputada Robin Kelly.
O aspecto mais sensível do episódio, contudo, é a adesão parcial de republicanos às críticas. Senadores como Thom Tillis e Lisa Murkowski passaram a defender investigações independentes e maior transparência sobre a conduta do DHS e do ICE, ressaltando a necessidade de de-escalada e de prestação de contas.
Analistas avaliam que a pressão bipartidária decorre da combinação entre a gravidade das mortes, o impacto das imagens divulgadas e o fato de as vítimas serem cidadãos americanos. Esses elementos reduziram a margem política tradicionalmente concedida ao Executivo em temas de segurança e imigração, inclusive entre aliados do governo.
Apesar das críticas, o presidente Donald Trump reafirmou apoio à secretária e ao DHS, declarando que Kristi Noem permanecerá no cargo enquanto as apurações seguem em andamento.
O Departamento de Segurança Interna informou que continuará defendendo a legalidade das operações do ICE, mas reconheceu a necessidade de revisar procedimentos e ampliar a transparência. Está prevista a convocação de Kristi Noem para depor no Comitê Judiciário do Senado em março, quando deverá responder diretamente sobre o uso da força e a gestão da agência.
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