André Mendonça assume relatoria do caso Banco Master após saída de Toffoli
Mudança no STF ocorre em meio a pressões políticas e amplia protagonismo do ministro em investigações sensíveis ao Planalto
Por: Redação
13/02/2026 às 08:47

Foto: José Cruz/Agência Brasil
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), assumiu nesta quinta-feira (12) a relatoria das investigações sobre fraudes envolvendo o Banco Master. A redistribuição ocorreu após o ministro Dias Toffoli solicitar sua saída do caso.
O sorteio foi realizado sem a participação de Toffoli e do presidente da Corte, Luiz Edson Fachin. Caberá agora a Mendonça conduzir as próximas etapas do inquérito.
A decisão de Toffoli foi tomada após reunião de aproximadamente três horas entre os ministros. O presidente do STF apresentou aos colegas relatório da Polícia Federal contendo novas informações extraídas das apurações.
Em nota conjunta, os ministros afirmaram que, “considerados os altos interesses institucionais”, foi acolhida a comunicação de Toffoli para que os feitos sob sua relatoria fossem encaminhados à Presidência para livre redistribuição.
Por unanimidade, a Corte afastou alegações de suspeição contra Toffoli, mas o próprio ministro optou por deixar a condução do processo.
Com a redistribuição, André Mendonça passa a relatar dois processos que geram preocupação dentro do Palácio do Planalto:
a investigação sobre o Banco Master;
e a ação relacionada ao escândalo do INSS.
No caso do INSS, há menções a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Reportagem divulgada em dezembro de 2025 apontou que o nome do empresário apareceu em depoimento colhido pela Polícia Federal como suposto recebedor de pagamentos mensais atribuídos a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Não há, até o momento, condenação judicial no caso.
A investigação do Banco Master chegou ao STF por envolver autoridades com foro por prerrogativa de função. Na operação Compliance Zero, a Polícia Federal encontrou um envelope com o nome do deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA) em endereço ligado ao fundador do banco, Daniel Vorcaro.
Toffoli havia determinado que novas diligências relacionadas à operação fossem previamente autorizadas pelo Supremo, sob o entendimento de que poderia haver envolvimento de pessoas com foro privilegiado.
A relatoria do ministro vinha sendo alvo de críticas e pressões políticas. Em dezembro de 2025, Toffoli decretou sigilo máximo sobre pedido da defesa de Vorcaro que questionava a competência da Justiça Federal para julgar o caso.
Além disso, a atuação do magistrado foi alvo de questionamentos após viagem ao Peru para assistir à final da Libertadores, em novembro do ano passado, em aeronave de empresário com vínculos indiretos com investigados. O episódio intensificou o debate sobre a necessidade de regras mais rígidas de conduta no Judiciário.
Veja mais em >>> Rede Comunica Brasil
Assine nossa news letter
Receba as principais notícias do dia direto no seu e-mail.




