Copom alerta para cenário mais incerto e indica juros altos por mais tempo
Ata do Banco Central aponta pressão da guerra no Oriente Médio e piora nas expectativas de inflação
Por: Redação
24/03/2026 às 09:09

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil sinalizou, em ata divulgada nesta terça-feira (24), um cenário econômico mais incerto e com tendência de juros elevados por mais tempo.
Na última reunião, realizada em 17 e 18 de março, o Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, fixando os juros em 14,75% ao ano. Apesar do corte, o tom do documento indica uma mudança relevante em relação à reunião anterior, quando havia sinalização mais clara de continuidade no ciclo de queda.
Segundo a ata, o agravamento dos conflitos no Oriente Médio aumentou a instabilidade global e passou a impactar diretamente as condições financeiras. “O ambiente externo tornou-se mais incerto, em função do acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio”, destacou o documento.
O comitê também indicou que o atual cenário exige uma política monetária mais rígida. Na prática, isso significa que os juros devem permanecer elevados por um período maior do que o previsto anteriormente.
“O ambiente de expectativas desancoradas exige uma restrição monetária maior e por mais tempo”, afirma a ata.
A leitura do mercado reforça esse movimento. Projeções recentes indicam que a inflação segue pressionada e deve permanecer acima da meta em diferentes horizontes. O próprio Boletim Focus elevou a expectativa para 2026, passando de 3,91% para 4,17%.
A meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Mesmo dentro desse intervalo, a trajetória atual preocupa o Banco Central.
O aumento dos juros é o principal instrumento para conter a inflação. Com crédito mais caro, a tendência é de redução no consumo e nos investimentos, o que ajuda a frear a alta de preços — mas também desacelera a economia.
A nova ata indica que, diante das pressões externas e da piora nas expectativas, o Banco Central deve adotar uma postura mais cautelosa, reduzindo o ritmo de cortes e podendo manter a Selic elevada por mais tempo do que o mercado esperava.
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