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Ex-presidente do Rioprevidência é preso ao retornar dos EUA em investigação sobre aportes no Banco Master
Ex-presidente do Rioprevidência é preso ao retornar dos EUA em investigação sobre aportes no Banco Master
PF apura gestão fraudulenta e aplicações de alto risco que colocaram em perigo recursos de aposentadorias no Rio de Janeiro
Por: Redação
03/02/2026 às 15:11

Foto: Divulgação
O ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, foi preso nesta terça-feira (3) por agentes da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal. A prisão ocorreu na Via Dutra, na região sul fluminense, nas proximidades de Rezende, após Antunes desembarcar no Aeroporto de Guarulhos, vindo dos Estados Unidos.
Antunes deixou o comando do fundo de previdência dos servidores do Estado do Rio de Janeiro em janeiro, depois de se tornar alvo de investigações que apuram suspeitas de gestão fraudulenta, desvio de recursos públicos e corrupção relacionados a investimentos realizados no Banco Master.
Durante sua gestão, e a de outros dois ex-dirigentes, o Rioprevidência aplicou quase R$ 1 bilhão em Letras Financeiras emitidas pelo banco — títulos considerados de alto risco e que não contam com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Segundo a PF, ao menos nove aplicações feitas entre 2023 e 2024 teriam exposto os recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões de cerca de 235 mil servidores públicos estaduais.
As operações vinham sendo questionadas há mais de um ano. Em outubro de 2025, o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro proibiu o Rioprevidência de realizar novos investimentos em títulos administrados pelo Banco Master, citando indícios de gestão temerária e possível irresponsabilidade na condução do patrimônio previdenciário.
Apesar do veto, as aplicações continuaram no centro das decisões administrativas do fundo, o que ampliou o escrutínio dos órgãos de controle e levou ao aprofundamento das investigações federais.
Deivis Marcon Antunes é um dos alvos da Operação Barco de Papel, que apura irregularidades nos aportes do Rioprevidência no Banco Master. A PF investiga crimes como gestão fraudulenta, delitos contra o sistema financeiro nacional, desvio de recursos públicos, indução da administração pública a erro, fraude a investidores, associação criminosa e corrupção passiva.
Também são investigados o ex-diretor de investimentos Euchério Rodrigues e o ex-gerente de investimentos Pedro Pinheiro Guerra Leal, que deixaram seus cargos após o avanço das apurações.
Há indícios de que Antunes tinha conhecimento da possibilidade de ser alvo de uma operação policial. Em meados de janeiro, ele teria evitado sua residência no Rio de Janeiro e, no dia 15, deixou o país com destino aos Estados Unidos. À época, o Rioprevidência informou que o então presidente estaria em férias previamente programadas.
Como a fase inicial da operação previa apenas mandados de busca e apreensão, Antunes não era considerado foragido. Com a evolução do inquérito, a Polícia Federal confirmou a prisão nesta terça-feira.
Segundo o próprio Rioprevidência, as Letras Financeiras adquiridas foram emitidas entre outubro de 2023 e agosto de 2024, com vencimentos apenas em 2033 e 2034. Investigadores avaliam que esse tipo de ativo, destinado a investidores profissionais e de risco elevado, é incompatível com a finalidade previdenciária do fundo.
A PF apura se as decisões foram tomadas sem respaldo técnico adequado, contrariando a finalidade legal do instituto e colocando em risco o patrimônio dos servidores estaduais. As defesas dos investigados não foram localizadas; o espaço segue aberto para manifestações.
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