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Gastos administrativos do governo federal voltam a subir e superam R$ 70 bilhões sob Lula
Gastos administrativos do governo federal voltam a subir e superam R$ 70 bilhões sob Lula
Despesas com a máquina pública crescem acima do período recente e reduzem espaço para investimentos essenciais
Por: Redação
03/02/2026 às 07:52

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Os gastos administrativos do governo federal voltaram a acelerar no terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, atingindo em 2025 o maior patamar dos últimos nove anos. De acordo com dados da Secretaria do Tesouro Nacional, corrigidos pela inflação, as despesas com o funcionamento da máquina pública alcançaram R$ 72,7 bilhões, superando o nível observado ao fim da gestão anterior.
Após um período de contenção iniciado depois do impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, o custeio administrativo voltou a crescer de forma consistente a partir de 2023. No primeiro ano do atual governo, os gastos somaram R$ 63,2 bilhões; em 2024, avançaram para R$ 65,2 bilhões; e, em 2025, registraram alta superior a 11%, ultrapassando a marca de R$ 70 bilhões.
O movimento contrasta com o ciclo de redução observado nos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro. Entre 2019 e 2022, as despesas administrativas recuaram de forma gradual, chegando a R$ 57,7 bilhões em 2021, o menor nível da série recente.
Os custos administrativos englobam despesas como energia elétrica, água, telefonia, serviços de limpeza e vigilância, tecnologia da informação, aluguel de imóveis e veículos, passagens, diárias, combustíveis e apoio operacional. Com a elevação desses gastos, cresce a pressão sobre o orçamento discricionário, justamente o que financia investimentos e políticas públicas.
Especialistas apontam que o avanço do custeio compromete a capacidade do Estado de investir. O diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente, Marcus Pestana, avaliou que o atual nível de despesas deixa uma margem “medíocre” para investimentos e sinaliza um horizonte fiscal pouco promissor, mesmo sob as regras do novo arcabouço fiscal.
Pelas regras vigentes, as despesas livres da União não podem crescer acima de 2,5% ao ano, descontada a inflação. No entanto, o aumento contínuo dos gastos obrigatórios — como salários e benefícios de servidores — tem comprimido o espaço para outras áreas. Em 2026, a margem estimada para gastos livres dos ministérios é de R$ 129,2 bilhões, dos quais mais da metade tende a ser absorvida pelo custeio administrativo.
Na prática, isso significa menos recursos disponíveis para infraestrutura, universidades federais, bolsas de pesquisa, fiscalização ambiental, defesa agropecuária, Farmácia Popular e agências reguladoras.
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