Trump avalia encerrar impasse com Irã sem acordo nuclear, dizem fontes
Casa Branca concentra esforços na reabertura do Estreito de Ormuz enquanto negociações sobre programa nuclear seguem sem avanços
Por: Redação
10/08/2026 às 07:23

Foto: Sarah Meyssonnier/POOL/AFP
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avalia considerar a reabertura do Estreito de Ormuz como principal resultado do conflito com o Irã, mesmo sem a assinatura de um novo acordo sobre o programa nuclear iraniano. A estratégia ganhou força diante do impasse nas negociações entre Washington e Teerã.
Autoridades ouvidas pelo The Wall Street Journal afirmaram que a Casa Branca passou a priorizar o restabelecimento da navegação na região, considerada uma das principais rotas para o transporte mundial de petróleo. A passagem foi afetada após o início do conflito, elevando a pressão sobre o mercado internacional de energia.
O governo iraniano condiciona a normalização do tráfego marítimo ao pagamento de compensações financeiras pelos Estados Unidos, à retirada de tropas americanas do Oriente Médio, ao fim do bloqueio naval e à restrição da circulação de navios militares dos EUA pelo estreito. Teerã também pretende cobrar tarifas de embarcações comerciais que utilizarem a rota.
As exigências dificultam um entendimento entre os dois países. Desde abril, as negociações estavam concentradas em garantias de que o Irã não desenvolveria armas nucleares, mas o diálogo registrou poucos avanços, levando Washington a concentrar esforços na questão da segurança da navegação.
Nos últimos dias, Trump voltou a afirmar que um acordo com o Irã estaria próximo e compartilhou nas redes sociais um artigo que classificava os Estados Unidos como vencedores do conflito, apesar da ausência de um entendimento formal sobre o programa nuclear iraniano.
A Casa Branca sustenta que seus principais objetivos militares já foram alcançados e considera que a reabertura do Estreito de Ormuz, aliada ao enfraquecimento da capacidade nuclear iraniana após ataques contra instalações estratégicas, poderia justificar a manutenção do atual cessar-fogo. O governo norte-americano também afirma estar preparado para responder militarmente caso o Irã volte a atacar embarcações na região.
Entre os principais obstáculos para um acordo definitivo estão as exigências financeiras de Teerã, que reivindica indenizações bilionárias, a liberação de ativos congelados no exterior e o relaxamento das sanções ao setor petrolífero. Trump, por sua vez, já declarou que não pretende utilizar recursos públicos dos Estados Unidos para financiar o governo iraniano.
O presidente norte-americano também avalia que os ataques realizados contra instalações nucleares iranianas reduziram significativamente a capacidade do país de reconstruir seu programa atômico durante o atual mandato, o que diminuiria a urgência de um novo acordo formal sobre o tema.
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