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TCU suspende contrato bilionário no Porto de Santos por suspeita de irregularidades
TCU suspende contrato bilionário no Porto de Santos por suspeita de irregularidades
Decisão de Augusto Nardes interrompe licitação vencida por consórcio ligado à família do ministro Bruno Dantas e aponta risco de prejuízo ao interesse público
Por: Redação
13/08/2026 às 07:10

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
O ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União (TCU), determinou a suspensão de um contrato de R$ 1,06 bilhão firmado após licitação realizada no Porto de Santos (SP). A medida interrompe os efeitos do certame vencido por um consórcio que reúne uma empresa com participação da mulher e do sogro do ministro do TCU Bruno Dantas.
O contrato previa a exploração, por 20 anos, de uma área de aproximadamente 242 mil metros quadrados no complexo portuário. Na decisão, Nardes determinou que a Autoridade Portuária de Santos (APS) suspenda todos os atos decorrentes do edital e apontou "graves indícios de irregularidades", além de risco de prejuízo ao interesse público.
Segundo o relator, a continuidade da execução do contrato poderia gerar direitos de difícil reversão e comprometer, por décadas, uma área considerada estratégica para a expansão da capacidade operacional e ferroviária do Porto de Santos.
A decisão também destaca que a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) identificou incompatibilidade entre a classificação adotada pela APS para o terreno e a destinação prevista no planejamento portuário. Conforme o despacho, essa divergência coloca em dúvida a regularidade do objeto licitado.
Outro ponto citado por Augusto Nardes foi a baixa concorrência no processo. O ministro registrou que apenas uma proposta foi apresentada e que o prazo inferior a 25 dias para elaboração das ofertas pode ter restringido a competitividade da licitação, reforçando os indícios de irregularidades.
A representação que deu origem ao processo foi apresentada por parlamentares da oposição, entre eles os senadores Eduardo Girão (Novo-CE) e deputados como Bia Kicis (PL-DF), Marcel van Hattem (Novo-RS), Adriana Ventura (Novo-SP), Gilson Marques (Novo-SC), Luiz Lima (Novo-RJ), Alfredo Gaspar (União-AL) e Evair de Melo (PP-ES). Os congressistas também pediram o impedimento de Bruno Dantas no caso, mas o relator rejeitou o pedido por entender que eles não possuem legitimidade processual para formular esse tipo de requerimento em processo de controle externo.
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